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Criado em 2008 por Kenzo Kimura, o Rafiado é um blog que fala exclusivamente sobre Publicidade e Propaganda do Ceará. Notícias do mercado, campanhas de agências locais, entrevistas com profissionais, vagas de emprego, portfólios, dicas de eventos e mais um monte de coisa massa.


Com o passar dos anos, o Rafiado se tornou um dos principais veículos de comunicação no segmento. Além de ser referência no Ceará e no Brasil, é também ponto de encontro de profissionais do país inteiro, professores, estudantes e simpatizantes de uma boa ideia.


Kenzo Kimura:

#publicitario #redator #rubronegro

Nasci em Minhas Gerais, cresci no Rio de Janeiro e amei o Ceará.
Criei o Rafiado ainda na faculdade. Hoje é ele que me cria.

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Depois de um tempo ausente, o Entre Rafis volta com tudo para falar de um assunto recorrente e, infelizmente, distante do mercado cearense: Mídia Digital.

Para bater um papo com o Rafiado, convidei uma unanimidade no assunto, o profissional e amigo Hélcio Brasileiro.

***

helcio

1) Quem é Hélcio Brasileiro?

Cursei jornalismo e publicidade na PUC/RJ, acabei me graduando em jornalismo em 93. Entre Rio e Fortaleza, fui editor de telejornalismo, produtor de telenovela, repórter de programa policial na TV, repórter de jornal, escrevi livro, fui professor universitário, fiz duas especializações, participei de campanhas políticas, fui pra Angola,… Rodei bastante.

Só com mais de 30 anos que me dediquei a um foco mais específico. Isso aconteceu graças aos trabalhos que fiz com a Espalhe. Os caras têm uma busca incessante por surpreender, um compromisso de gerar nas pessoas uma experiência marcante. Desde então fiquei especialmente interessado por este universo, sobretudo pelas possibilidades de disseminar mensagens via Web.

Aqui na 101°Macaco a gente exercita muito isso, tentamos sempre formas (“novas” ou não) de criar e fortalecer o relacionamento das marcas com seu público alvo.

2) No seu ponto de vista quais são as novas tendências quando falamos de mídias digitais?

Há alguns anos dei aula em ONGs para adolescentes de famílias de baixa renda em diferentes bairros. Já na época era corriqueiro entre eles, em todos os intervalos, o hábito de trocar músicas pelo bluetooth dos celulares.

Hoje existem aplicativos bem criativos (e úteis) para celular. Acredito que, assim como aconteceu com a web, quando deixarmos de pensar apenas como emissores, não ficarmos mais restritos a SMS enviados de uma fonte “oficial”, e com a popularização dos 3G, o mobile marketing vai estourar.

Tem muita coisa legal acontecendo em tecnologia, e todas elas só valem se forem adotadas pelas pessoas. A realidade aumentada, por exemplo, está tendo utilizações bem legais como forma de agregar conteúdos dinâmicos a imagens estáticas.

Não podemos esquecer também de toda expectativa sobre os níveis de interatividade que alcançaremos com a TV Digital, e do uso cada vez mais freqüente de narrativas multiplataforma (ou transmedia storytelling, como tem sido chamado).

3) No próximo ano, será liberado o uso da Internet para campanhas eleitorais. Você acredita que tal medida contribuirá para uma maior participação da Classe Média?

Toda forma de participação é sempre válida e desejada. Nas eleições passadas uma legislação equivocada proibia quem queria fazer ações positivas nas redes sociais, mas não tinha como coibir os spams, perfis fakes, difamações variadas, toda a parte negativa da campanha.

Boas candidaturas, que despertem a esperança das pessoas, certamente contribuirão muito para gerar uma maior participação de todos os cidadãos. Ainda temos quadros muito indefinidos, mas seria sensacional ver esta mobilização espontânea, online e offline, fazer as campanhas transcenderem dos ambientes de controle dos partidos para um debate mais amplo.

Outro ponto que considero importante ser sempre levantando é que estas estratégias de comunicação utilizando plataformas sociais não se restrinjam ao processo eleitoral. Até pela natureza do serviço público, os governos precisam se comunicar mais, manter canais diretos para dialogar com o cidadão. Vale lembrar que não existe propaganda melhor do que prestar um bom serviço e ser transparente.

(Leia mais sobre o assunto aqui )

4) Existe resistência por parte das agências cearenses quanto ao uso dos meios digitais e redes sociais?

Acredito que não seja exatamente uma resistência. O que eles estão buscando é uma maneira disso ser um modelo de negócios viável. Temos que entender as peculiaridades do nosso mercado, nada fácil de ser trabalhado. Os orçamentos são, em média, baixíssimos, o que puxa tudo para baixo.

Todo mundo sabe de cor inúmeras críticas ao modelo “tradicional” de publicidade. Mas, queira-se ou não, ele – quando bem feito – pode ser eficiente, está “institucionalizado”, as empresas anunciantes entendem que devem investir. E, mais do que isso: as agências sabem como se remunerar dentro do modelo vigente.

Claro que alguma hora será inevitável uma mudança de postura. Se cada vez mais mercados seguem este caminho, se todo mundo está conectado, se as pessoas voluntariamente se agrupam em comunidades, não existe nenhum motivo racional para uma marca se manter distante disso. Não vejo outro caminho fora de estratégias que integrem diferentes mídias.

Acho também que não cabe apenas as agências criar uma cultura de comunicação digital forte por aqui. A graça da Internet é a possibilidade de auto-publicação, de experimentar sem grandes investimentos. Você, com um blog, é lido por todo mercado publicitário local, conseguiu ser visto pelas agências, mesmo sendo universitário. Dia desses, refletindo sobre esta questão, listei algumas boas iniciativas locais.

Se alguém acha que tem boas ideias, que atropele o risco e ponha em prática. Muitos vão criticar, afinal falar é fácil. Raros são realizadores. Estes são os que fazem a diferença.

5) Hoje em dia, encontramos em toda esquina alguém que se auto intitula “Analista de Redes Sociais”. Afinal, o que é preciso para ser de fato um?

A verdade é que há mais deslumbramento do que ação. Todo mundo fala disso, pouca gente participou de algum case real. Trabalhar com mídias sociais deve ser muito mais que gerenciar um perfil no Orkut ou Twitter. Como tudo em comunicação, é preciso partir de um conceito, ter um objetivo definido.

Acho muito salutar esta euforia, se falar e trocar tantos links sobre o tema. Por outro lado não adianta vender areia no deserto, acreditando ser água gelada. Os que têm interesse neste mercado (e me incluo aí) precisam ser mais auto-críticos, traduzir mídias sociais num serviço que possa ser compreendido pelo cliente, com parâmetros bem definidos, e que gere resultados concretos. Gente qualificada aqui em Fortaleza, garanto que não falta.

Isto tudo é muito novo, está aí há poucos anos. A gente precisa estudar experiências externas, comparar com as nossas, produzir cada vez mais, para definir alguns padrões, e aí, responder a sua pergunta com mais precisão.

6) Como as novas mídias e as redes sociais influenciarão mudanças na mídia convencional?

Li esta semana uma entrevista com o diretor de mídia da Fischer + Fala, onde ele afirma que é inconcebível hoje qualquer campanha que não tenha uma interface digital. Não é novidade, mas é bom lembrar.

Quando a gente pega uma campanha em que os filmes exibidos durante o Jornal Nacional te jogam para um endereço eletrônico que trata de um conceito, não do nome da marca, e toda a estrutura é em cima deste conceito, e não diretamente de informações institucionais, fica claro que algo mudou. A gente tem, de uns anos pra cá, visto inúmeras campanhas neste formato.

Os enormes esforços da Globo, maior grupo de comunicação brasileiro, para ocupar estes espaços, indicam que não há pra onde fugir – a Malhação, por exemplo, virou um laboratório “transmídia”, incluindo ações offline. O importante não é se uma mídia é nova ou velha, é como aquela mensagem pode ser relevante para as pessoas, seja por entrenimento, por identificação, por gerar algum serviço, pelo que fôr.

7) Twitter. Febre passageira ou veio pra ficar?

É tudo cada vez mais efêmero, e é esta a explicação pro sucesso do Twitter. As pessoas estão lá, se adaptaram e adotaram esta tecnologia, trocando informações a todo vapor. Sua simplicidade é seu trunfo (outras plataformas de microblog mais elaboradas não vingaram), além de, na minha opinião, ainda cumprir funções de RSS, Stumble, Flickr, MSN e email (sem, por isso, anulá-os). O mais louco é que a utilização do Twitter é muito melhor por interfaces que as pessoas criaram pra ele, do que por ele mesmo.

Com certeza o Twitter veio pra ficar. Só não sei quanto tempo o “pra ficar” demora hoje em dia.

8.) Para você, a popularidade de uma rede social está relacionada diretamente com aspectos culturais de determinado país/cidade/região ou com a globalização isso não existe mais?

Existe. Atribuem ao fato de sermos muito gregários nossos recordes de utilização das plataformas de redes sociais. Entender porque cada país/cidade/região adota determinada plataforma, em detrimento de outras, também deve falar muita coisa sobre aqueles específicos grupos de usuários.

9) As mídias sociais poderão ocupar o papel da imprensa na intermediação da informação?

Não acredito. Pode ser o vício de um cara analógico tentando pensar digital, mas assim como não acredito no fim da mídia “tradicional”, imagino que a gente ainda precise das informações organizadas sob um guarda-chuva com alguma credibilidade.

Claro que muitas das nossas fontes de informações hoje são blogs ou Twitter, sendo qualquer emissor capaz de agregar credibilidade ao seu nome. Eu, aliás, sempre provoco meus amigos a produzirem conteúdo original, sobretudo falando sobre nossa cidade, nosso cotidiano. No entanto a maior parte do conteúdo que circula ainda é gerado por grupos de comunicação.

Sem dúvida se você quer saber apenas de um tema específico, pode muito bem viver sem a “imprensa profissional”. Já se você quiser estar informado sobre assuntos gerais, da política ao esporte, do internacional à cultura, vai preferir encontrar isto tudo no mesmo lugar do que navegar por 40 links diferentes. Gerar notícia é caro. Ainda é bem complicado para que estruturas independentes ou baseadas exclusivamente em colaboração possam se manter cobrindo uma grande amplitude de temas em tempo real.

O jornalismo com certeza vai ter que se adaptar, e vem tentando fazer isto, no entanto, não acredito que irá morrer.

10) Para finalizar, como você se mantém atualizado?

Eu era daqueles caras 24/7 online. Assinava RSS de trocentos endereços eletrônicos mundo afora, participava de um monte de listas de discussão, era bem paranóica a vontade de saber tudo antes o tempo todo. Hoje procuro equilibrar mais. Continuo aprendendo muito com os blogs que gosto, com os amigos no Twitter, em conversas ao vivo ou online. Diminuí drasticamente as assinaturas de RSS, voltei a ler alguns livros simultâneos, revistas (eu adoro revistas!), leio jornal impresso todos os dias. Devo ser um nerd pro pessoal mais tradicional, um dinossauro pros geeks.

***

Pra você vê, o cara é tão apaixonado pelo o que faz que até o filho recém-nascido já veio ao mundo na Web 2.0. No Twitter do @Levilevado, é possível ver um pouco do dia-a-dia de um bebê que, apesar de pequenino, faz jus ao adjetivo que tem e deixa o pai de cabelo em pé.

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Achar o Hélcio por lá lá também é fácil. É só clicar aqui.

***

Hélcio, grande abraço e valeu pela participação.

E vejo vocês no próximo post.



por Kenzo Kimura




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É hora de “estrear” o Entre Rafis no novo blog! Depois de entrevistar Diretor de Arte, Designer, Redator, Diretores de Criação, Donos de Agências, Arte Finalista, chegou a hora de visitarmos outro setor de uma agência, a Mídia.

E, para bater um papo com o Rafiado, ninguém melhor do que o fundador e presidente do Clube de Mídia do Ceará (infelizmente, extinto) e atual Mídia da Slogan Propaganda. Abram alas para Caio Quinderé.

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1- Quem é Caio Quinderé?

Eu me defino como um autodidata por natureza. Nunca comecei em um emprego sabendo fazer o que me ofereciam. Meu lema é que se existe um livro que ensine o que eu tenho necessidade de aprender, eu aprendo.

Na publicidade não foi diferente, ainda me lembro quando o Thomas Barbosa, então diretor da Ágil Publicidade, disse ao ler o meu currículo: “Você vai ser o mídia da minha agência!” e eu respondi: “O que é mídia?” (rs). Quando eu conto isto nas minhas palestras às pessoas pensam que é piada, mas aconteceu de fato.

Na Ágil Publicidade, de mídia a vice-presidente de operações foram 18 anos (1986-2004). Em 2004 passei um mês na Register (diretor de operações) e saí para campanha eleitoral majoritária municipal (Aloísio), como diretor de operações da comunicação. Em janeiro de 2005 fui trabalhar na Síntese como diretor comercial e em maio fui convidado para assumir a filial do IBOPE Mídia em Fortaleza, onde fiquei até março de 2008. Em maio de 2008 assumi a diretoria de mídia da Slogan Propaganda a convite do Sérgio Fiúza.

Não posso dizer que entrei na publicidade por interesse nela (até porque eu desconhecia a área), mas é fato que ao me encontrar com a mídia foi paixão a primeira vista. E digo, com sinceridade, se a gente tem que ser apaixonado por tudo o que se faz, no caso da mídia a paixão é condição sine qua non. Já fui convidado para proferir palestras em várias universidades, faculdades e associações de classe. Fui eleito Profissional de Propaganda pelo Prêmio Colunistas Norte-Nordeste em 1997, fundador e presidente do Grupo de Mídia por diversas gestões, como também já ministrei cursos e workshops de mídia.

2- Como você vê o mercado de mídia cearense hoje?

Vejo o mercado em primeiro lugar bastante sintonizado com o que acontece no restante do país, principalmente no eixo sul-sudeste. O delay que existia e era amplamente aceito, que as coisas levavam um tempo grande para chegarem ao mercado do nordeste, deixou de ser uma realidade há muito tempo. Seja pela tão badalada globalização ou pelo nível atual do mercado publicitário cearense, o fato é que a diferença que hoje ainda grassa em nosso meio é de budget de investimento publicitário, nada além disso.

Uma pergunta que volta em meia aparece em minhas palestras é: Qual a diferença entre o profissional de mídia do Ceará e de São Paulo? A minha resposta é que a diferença é uma questão de milhões de dólares (rs). Enquanto o profissional de mídia do Ceará luta para otimizar uma verba de R$ 20 mil gerando dela R$ 100 mil de veiculação, um mídia de São Paulo tem uma verba de R$ 1 milhão de dólares para gerenciar.

3- Quais os desafios que o profissional de mídia deve enfrentar e o que esse profissional deve fazer para enfrentá-los?

Por incrível que possa parecer o profissional de mídia tem dois desafios importantes a serem enfrentados. Um desafio que ele conhece e deseja enfrentá-lo, mesmo às vezes não sabendo como fazê-lo. O outro desafio é um que ele não entende a necessidade e nem percebe a intrínseca relação com o primeiro. Assim, temos o primeiro desafio que é estar nivelado ou com a mesma importância de um criativo, para ficarmos no exemplo. O mídia ainda é visto como o último trabalho a ser feito em uma agência, um solucionador de problemas, o profissional que deve saber responder na ponta da língua quando custa 30” de um programa em Roraima entre outras tantas questões parecidas. A relação profissional da propaganda de hoje e do futuro não é excludente, mas includente, interação colaborativa e proativa em que quaisquer das partes tem peso e relevância para a qualidade do produto final.

O segundo desafio é a união da classe e não estamos falando aqui em sindicato, mas em Grupo de Mídia. Grupo este esvaziado pela ausência de conscientização do profissional e principalmente da falta visão dos mídias em perceber o quanto valorosa seria a contribuição desta instituição para qualificação, inserção e valorização do profissional no mercado publicitário.

4- É clara a hegemonia da TV como meio de comunicação. E no futuro? Para você, qual mídia apresentará o maior crescimento em investimentos publicitários nos próximos anos?

Se seguirmos a tendência da onda é a Internet, entretanto, não a vejo com crescimento de investimento nos moldes clássicos de veiculação. Em minha opinião e de mais alguns estudiosos do assunto, da internet ainda não foi extraído o seu potencial como veículo e descoberto a melhor forma de anunciar. Este é um universo ainda a ser completamente explorado e principalmente, pelo crescimento explosivo nos últimos anos e nos que ainda virá muita água rolará por debaixo dessa ponte. Importante prestarmos muita atenção a essa (re)evolução.

5- Como os anunciantes cearenses estão se adequando às novas mídias?

Tem evoluído bastante a atenção dos anunciantes para as novas mídias (extensivas, diretas, exteriores, internet etc.). Mais importante é que diante deste quadro a agência não veja esse interesse como uma fragmentação da verba do anunciante e nem o anunciante como uma solução mais econômica para sua comunicação. Antes de qualquer coisa, a pertinência da composição do mix, independente se foi pleiteada as novas mídias, as clássicas, ou ambas é que tem relevância para o resultado que se espera.

6- Com essa democratização cada vez maior da informação e da tecnologia como está o nosso mercado de mídia em relação a esse mundo digital? Os profissionais de mídia cearenses estão aptos a lidar com esse tipo de mídia?

Bom, a informação existe, os veículos têm realizado diálogos com o mercado sobre o assunto, é uma realidade que já está posta e, portanto, quem não se atualizou ainda está atrasado, pois a fila está andando e rápido.

7- Por que é tão raro vermos profissionais de mídia que fazem Plano de Mídia?

Em primeiro lugar, devemos entender que no dia-a-dia do nosso trabalho profissional, nem tudo necessita de um plano de mídia formal (e aqui me refiro a um material elaborado que descreva com detalhamento objetivo, estratégia e tática). Os Planos de Mídia acontecem atrelados aos Planos de Marketing dos anunciantes e os Planos de Comunicação elaborados pela agência. O resto é tática e execução, ou seja, desdobramento do planejamento aprovado. Ora, se temos plano marketing, briefing completo, ferramentas de pesquisa a mão, os planos de mídia são consequências naturais. Acredito que devamos ter profissionais de mídia que se sentem incapazes ou com dificuldades para desenvolver um plano de mídia, mas sempre teremos que analisar o contexto do problema. Os clientes da agência valorizam um plano de mídia? A agência proporciona as ferramentas necessárias para o desenvolvimento deste trabalho? Para contratação deste profissional se levou em consideração quais parâmetros, por exemplo, o da qualificação profissional ou do menor custo? Eis alguns insights…

8- No primeiro trimestre de 2009, o investimento em mídia, em todo o mercado brasileiro, foi 5,3% maior do que no mesmo período do ano passado. E aqui no Ceará, a crise econômica também não passou de uma marolinha?

Não diria uma marolinha, mas o impacto foi bem menor que o terror que nos tentaram impor. Desatrelado do mundo internacional das corporações, situação que muitas agências vivem no sudeste, o mercado publicitário do nordeste de uma forma em geral sofreu menos que a maioria das regiões. Muita coisa aconteceu aqui, mais pelo medo do que realmente por fatos comprovados. O bombardeio de informação trouxe mais problemas, do que a realidade como o mercado se comportou durante a crise.

9- Como foi comandar o Grupo de Mídia do Ceará? Há iniciativa para retomá-lo?

Desde 1989 eu estou envolvido com o Grupo de Mídia do Ceará. Envolvimento este que se encerrou em 2005 quando assumi o IBOPE. A grande dificuldade sempre foi a falta de engajamento dos profissionais. Mas mesmo assim o Grupo de Mídia sempre conseguiu realizar importantes trabalhos em prol da causa da qualificação e valorização do profissional de mídia. Para mim o Grupo de Mídia é uma instituição imprescindível para o mercado.

10- Há agências que insistem em ter “profissionais” Atendimento/Mídia ou Financeiro/Mídia ou Produção/Mídia. Nessa brincadeira, quem perde mais: agência, cliente ou consumidor?

Todos. Em minha opinião particular quem faz dois trabalhos ao mesmo tempo, um deles não está fazendo direito. Embora possamos até entender a dificuldade econômico-financeira que possa levar uma agência a necessitar desse arranjo, no fundo e no fim de tudo isto se volta contra a qualidade do resultado final e principalmente comprova ser uma economia de clipe que produz mais prejuízo do que lucro.

11- B.V: antiético ou a alma do negócio?

Para mim não é nenhuma das duas coisas. A questão de ser ético ou não vai depender exclusivamente da postura clara e da lisura como o assunto é tratado pela agência. Alma do negócio? Se agência para viver tivesse que depender de B.V., o mercado publicitário (agências) seria quase inexistente.

12- Como você vê o futuro da profissão?

Com bons olhos, pois sou um otimista. Acredito sinceramente que o dinamismo, o avanço tecnológico, entre muitos fatores do mercado publicitário exigirão cada vez mais a relevância e qualificação do profissional de mídia.

***

Já agradeci, mas fica aqui outro agradecimento, dessa vez público, ao Caio pela lúcida entrevista. Ah, tirando qualquer dúvida, apesar dos olhos puxados, a gente não é parente, ok? Bom, pelo menos eu acho que não.

Grande abraço a todos e até o próximo post.



por Kenzo Kimura




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Foi com muito prazer que o Rafiado entrevistou este mês uma figurinha carimbada da propaganda cearense. Nas mesas de bares, sinônimo de polêmica. No mercado, de extrema competência. Com vocês, o Diretor do Sinapro-CE, Presidente do Clube de Criação do Ceará, Sócio-Diretor, Diretor de Arte e Diretor de Criação da Bolero Comunicação: André Mota.

Obs.: A entrevista foi composta por 15 perguntas, na qual o André optou por escrever um texto único englobando as temáticas abordadas no questionário.

***

Comecei a trabalhar com propaganda em 1989. Na época, não exatamente em uma agência. Na verdade, era uma empresa que produzia troféus e placas de homenagem.
Tive um rico aprendizado. Aprendi a trabalhar com fotomecânica, revelar fotolitos, usar retículas e paquímetro. Nesse tempo, não tinha essa molezinha de computador, muito menos internet. Tudo tinha que ser resolvido na base da curva francesa, papel milimetrado, algumas canetas de nanquim, canetas hidracor e quando muito uma cartela de letra 7. Alguns anos depois, com a chegada do computador ao Ceará (nesse tempo, diretor de arte na FOR4 Comunicação), tivemos algum progresso. Não muito, pois o mais avançado que se tinha era um 486DX2 66 com 16 Mega de memória, um super scanner de mão e o maravilhoso Corel Draw 2.0, que já nos permitia dar adeus a algumas ferramentas importantíssimas, como a máquina de xérox p&b da “Copiadora Hoje”, a caixa de canetinhas, o ampliador – uma máquina enorme que mais parecia uma máquina de fazer sorvete e era utilizada para ampliar cromos – e as fotocomposições de títulos do Jornal O Povo. Um tempo onde todos tinham que saber os porquês de tudo. Qualquer erro podia representar um anúncio saindo em branco com uma legenda que o anúncio tinha sido reservado pela agência tal e não tinha chegado a tempo. Ou seja, prejuízo do valor do anúncio e possível perda do cliente.

Alguns anos se passaram e decidi montar minha própria agência: COMTEXTO DE PROPAGANDA. Ralei um bocado. Tive que atacar de diretor de arte, diretor de criação, muitas vezes de redator e até mídia, já que minha equipe se resumia a um diretor de arte/criação/atendimento (eu), um redator, um finalista, um atendimento, que também fazia mídia, um boy e um financeiro. Quando faltava alguém, eu tinha que fazer do pagamento no banco ao mapa de mídia. O bom foi que aprendi um pouco de cada coisa, inclusive a crescer. Com 5 anos, a Comtexto já contava com 15 colaboradores e já começava a conquistar novos clientes e alguns prêmios. Com 7 anos, recebi uma proposta de sociedade em outra agência (na época a FOR4, que tinha parceria com a pernambucana Ítalo Bianchi).

Como sempre gostei de desafios, encarei mais um. Vendi minha parte na Comtexto e segui para uma nova sociedade, dessa vez com Orlando Mota.

No primeiro dia de agência nova, já encarei a primeira concorrência pública (Cagece). Foi a primeira que participei e a primeira que ganhei. Depois, participamos e vencemos a da Coelce, da AMC, da Unimed e outras de menor peso. Foi quando fizemos a primeira campanha política (José Airton para Governador). Depois da campanha, a agência passou a se chamar Mota Comunicação. Foi aí que participamos da nossa conquista mais expressiva: a conta do Banco do Nordeste. Fiquei na Mota durante 7 anos, conquistei muitas contas e prêmios nacionais e internacionais.

Ainda faltava algo. Chutei o pau da barraca e comecei tudo de novo.

Dessa vez, foi a Bolero, uma agência que respira criação desde a construção de sua sede. Nela, pude realizar alguns desejos, como ter um balanço no jardim e uma cachoeira com carpas na recepção. Na Bolero, também obtive grandes conquistas, como a conta nacional da Ypióca e Naturágua, da Organização Educacional Farias Brito, Super Rede, Murano Grill, Oui Bistrô, Cameron Construtora, Peixada do Meio, Holanda, Casa da Tia Léa, Ilmar Gourmet, Siara Hall, Platinum Motel, além da conta pública do Governo do Estado do Ceará.

Hoje, contamos com uma estrutura de 30 profissionais – na criação são 13 – que trabalham em duplas, trios, quartetos, sozinhos, no balanço, com a participação do atendimento, enfim, criamos de todo jeito, depende do job. Eu acho que esse lance de regra não combina muito com criação. Tem gente que gosta e consegue fazer bem feito assim. Eu, particularmente, prefiro que flua mais livremente. Não sei se o meu jeito é o certo, mas ele já me rendeu 9 Galos no Festival Mundial de Gramado, 1 troféu da Associação Latino-Americana de Propaganda, 6 finalistas no Profissionais do Ano da Rede Globo (no qual fomos a primeira agência a vencer no Ceará em 2007 e a única finalista em 2009), 6 Prêmios Voto Popular da Revista About, sendo 1 Grande Prêmio, 3 GPs no Colunistas Brasil, 1 GP no Promoção Brasil, 6 vezes no Acert de Rádio, 42 prêmios no Festival de Publicidade Colunistas Norte/Nordeste, 10 prêmios Central de Outdoor, 11 prêmios Promoção Norte/Nordeste, fui eleito Profissional de Marketing Promocional do Ano Norte/Nordeste em 2005, 13 prêmios Assis Santos de Criação Publicitária, 12 prêmios no GP de Propaganda do Sistema Verdes Mares, Melhor da Propaganda Regional Meio e Mensagem, além de dezenas de indicações ao prêmio ANJ.

Virar dono de agência e se afastar da criação, não rola comigo. Minha sala é dentro da criação e participo efetivamente da criação de quase todos os jobs da agência, seja fazendo direção de arte, escrevendo ou dando uma orientação pra galera. E se existe alguma crise por aí, nós transformamos em anúncio de oportunidade e aumentamos o nosso faturamento. Até hoje, gosto de tudo o que fiz, até porque, quando não acerto, costumo aprender com os erros e isso me torna um profissional melhor.

Atualmente, sou Diretor do Sinapro e tento ser presidente do Clube de Criação do Ceará. Digo que tento porque, sem grana e sem o apoio das agências, fica difícil desenvolver um trabalho competente. Somos apenas 4: eu, André Nogueira, Diego Bernardes e David Alencar. E todos, além de boa vontade, têm muitas obrigações em suas respectivas agências. Mas aceitamos ajuda. Você, por exemplo, que me fez essa pergunta, ["De 0 a 10 que nota você daria para sua gestão no Clube de Criação do Ceará?"], é muito bem-vindo pra participar. Que tal fazer do seu blog uma ferramenta de comunicação do Clube?

Juntos, fizemos palestras em todas as faculdades de publicidade e propaganda. Trouxemos, junto com a ABAP, Stalimir Vieira para o Ceará (aconteceu no Sebrae). Fizemos e colocamos o site no ar (saiu por falta de grana). Promovemos uma exposição de 50 Anos de Cartazes Políticos (aconteceu no Ideal Clube), participamos do júri de varias premiações, trabalhamos em uma campanha beneficente para a ajuda de queimados. Fora as camisetas que nos encarregamos de criar, imprimir e vender. Demos uma porrada de entrevistas. Em outras palavras, trabalhamos muito e estamos dispostos a continuar trabalhando.

["A Bolero é constantemente alvo de publicitários. Como você reage a essas críticas?"] Fico triste em ver que o mercado de que eu faço parte é tão desunido e que enquanto falta gente pra colaborar com uma entidade como o Clube, sobra nas mesas de bar onde se reúne uma geração de babaquinhas que se especializaram em ser medíocres e falar mal do mercado.

Mercado esse que se destaca cada vez mais em premiações nacionais e internacionais. Mercado feito de grandes nomes como Barroso Damasceno, Xico Teófilo, Tarcísio Tavares, Rubens Frota, Nazareno Albuquerque, Fernando Portela, Orlando Mota, Paulo Fraga, Ciro Tomaz, Fernando Costa, Chico Gualbernei, Travessoni, Assis Santos, Bob Santos, Sérgio Fiúza, Maninho Brígido, Duda Brígido, Andrey Ohama, Marquinhos, Dudu, Evandro Colares, Eliziane Colares, André Gurjão, Eduardo Prado, Ronaldo Vasquez, Tom Barbosa, Adrísio Câmara, dentre outros que não citei, mas que são excelentes profissionais, que provavelmente pagam o salário desses caras das mesas de bar e que merecem respeito.

Vou ficar te devendo umas duas respostas, mas vou encerrar respondendo mais uma. ["O que o André faz ou gosta de fazer quando não está mergulhado no mundo da propaganda?"] Vou fazer o que eu mais gosto de fazer quando não estou fazendo propaganda: ficar com minha mulher Juliana, minha filha Glorinha e meu filhinho Benjamim.

Falou cara, parabéns pelo blog.


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Valeu, André. Vejo vocês no próximo post.


por Kenzo Kimura




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1- Quem é André Nogueira?

Kenzo, o André Nogueira é um cara filho de um casal de médicos que no segundo ano, véspera do vestibular, ouviu falar de um amigo de sala que devia fazer propaganda, pois ia ganhar dinheiro com as ideias. Comecei a ver que talvez seria uma possibilidade. No terceiro ano já era decididamente um candidato a publicitário. Mas aí foi duro não haver uma Faculdade de Publicidade e Propaganda em 1995 aqui no Ceará. Passei em Administração na UNIFOR e não passei de primeira em Comunicação UFC (Jornalismo) com concorrência de 25 para 1. A família achava que eu devia me matricular em Administração, mas nem pisei lá, me matriculei num cursinho e no meio do ano passei em Comunicação na Federal, ainda com 17 anos de idade. No segundo semestre do Curso rolou a primeira greve, aí invés de ir ficar de férias fui buscar um estágio em agência. Consegui na Criação da Ágil, para minha sorte contei com o incentivo do Kleyton Mourão, na época layoutman de lá.

Passei 7 meses estagiando free na Criação da Ágil e pedi pra sair. Fui estudar e estagiar em outras áreas, além de ter experiências no Jornalismo como repórter de rádio, TV e chegando por fim a virar apresentador da TVC em 1998. Parecia que meu destino era a telinha. Mas, participei de um Prêmio Estudantil, o Gianinni Mastroianni de Novos Talentos da Propaganda, com 300 inscritos ficamos eu e o meu dupla Alexandre Vale (hoje na Fala!) em primeiro lugar. Ganhamos passagem, hospedagem em Cannes, 6 meses de Dragão do Mar grátis, assinaturas de revistas de marketing e estágio remunerado em agência. Larguei o jornalismo. Voltei para a Ágil levando o Alexandre, a pedido do Kleyton e da Raquel Barros (hoje Dez). Me formei em 1999 aos 21 anos, fui contratado como redator profissional na Ágil e em 2000 pedi pra sair e fui pra Sampa morar com uma prima que até hoje é diretora de arte da DPZ, Ana Laura Gomes. Voltei após 3 meses por causa de uma namorada na época e por propostas de 3 agências, 2 locais e uma de Recife. Desde então fiquei na Ágil pela terceira vez, depois Mark Propaganda, Slogan e então sai e montei com 3 sócios o Time de Comunicação. Participamos vitoriosamente da Campanha que elegeu a Luizianne Lins, conquistamos contas, alguns prêmios e em 2007 me desliguei da sociedade e fui para a Advance Comunicação para coordenar o núcleo da Prefeitura de Fortaleza. Acabei virando criativo da agência, trabalhando para todos os clientes desde 2007. Já são 13 anos de correria e uns 34 prêmios, mas o jogo tá só começando.

2- Além de redator, você é professor e coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Católica do Ceará. De que modo o meio acadêmico influencia a sua profissão?
Me alimenta em vários sentidos, pois do ponto de vista financeiro sei que não precisaria dedicar tanto tempo numa Faculdade para obter aquela quantia no fim do mês. Num semestre que fiquei sem dar aula, quando minhas filhas nasceram, ganhei mais com trabalhos por fora que dando aula. Professores deviam ser mais valorizados, são fundamentais. Então acho que é algo que pago pra ver, no acúmulo de conteúdos, na contribuição para o encaminhamento de alunos, no aconselhamento, coisas que não tive. Fui muito autodidata e contei com grandes professores na vida e no Curso de Jornalismo. O desafio de coordenar ai além da sala de aula, pois tenho que enxergar o curso como um todo e resolver problemas com o que tenho ao meu alcance. E aí haja criatividade e vontade.

3- Quais são as suas principais fontes de referência e atualização?
Minha principal referência é a vida. Passei a fase de mesa de bar com publicitários, não tenho tempo, nem saco mesmo. Prefiro reunir os amigos variando as casas. Vejo muito adulto adolescente em agência, tô em outra, quero mais do que curtir a vida adoidado.
Por ter cursado Jornalismo sou um devorador de informação, passo o dia com sites de notícias abertos, vejo os jornais diurnos e noturnos, procuro ler os principais jornais locais, leio blogs do meio, católicos, sobre música, cinema, arte, design. Tenho sempre livros a ler, com assuntos que me interesso e não porque tenho que ler. Enfim, viver, observar as pessoas, conhecer pessoas, interagir, viajar, são essas minhas maiores referências.

4- Você já foi dono de agência, a Time de Comunicação. O que o levou a sair da sociedade e voltar a ser “simplesmente” redator em outra agência?
O namoro não ia bem e procurei novos ares. Saí de uma função de faz tudo para ser novamente apenas criador, o que pra mim é até mais fácil tenho vasta experiência, sou novo, com pique e rapidez. Quando tudo está organizado é receber o briefing e entregar o melhor possível, acompanhar o processo e rezar pra tudo ser aprovado. São 2 realidades bem diferentes.

5- Você ainda sonha em ter a própria agência?
Quando me separei dizia que nunca mais ia casar, e aqui estou bem casado e com minhas primeiras 2 filhotas. Então só Deus sabe, deixo nas mãos Dele.

6- André, você troca a satisfação de um cliente por um prêmio da área?
Prefiro ver a satisfação de um cliente que vende muito e sua campanha ainda ganha prêmio pela qualidade, criatividade e ousadia. Mas uma coisa seja dita, não trabalhamos nem para o nosso cliente nem para nós mesmos, vendemos para públicos. Se fizer só que o cliente quer ele não precisa da gente. Se fizer só que quero vou fazer arte em casa ou num atelier. Somos vendedores de ideias, conceitos e nossas mensagens têm destinatários. É para eles que trabalhamos. Se eles ficam felizes, o cliente ganha, a agência também. Simples assim.

7- Como professor e jurado de concursos estudantis, com que olhos você vê a próxima geração de criadores? Promissora ou preocupante?
Não posso julgar concursos estudantis justamente por ser professor. A única vez que julguei estava fora da função. Mas julgo as categorias profissionais e tento aplicar com as devidas proporções os mesmo critérios. Espero que os estudantes tenham o mínimo cuidado ao enviar uma peça para um concurso. Professores muitas vezes indicam os alunos para as agências, já fiz isso muito. Somos olheiros também. Vejo uma parcela bem antenada e alguns que parecem fazer outro curso, não sabem quem atua em nossa área, quais são as agências, só criticam o que é produzido sem nunca ter feito nada. Uns estão no caminho, outros bem longe dele.

8- Muitos criticam a Internet por sua escrita informal e pobre. Você acha que a linguagem digital prejudicou (prejudica) na formação dos novos Redatores?
A questão da leitura é realmente um problema nessa geração visual e digital. E já podemos observar na dificuldade das agências encontrarem redatores para seus quadros. O pessoal anda escrevendo muito, só que em Messenger e Twitter.

9- Ultimamente, que propagandas você viu e gostou?
Aqui no Brasil gosto do que é criado pela Fnazca, AlmapBBDO, NBS e Santa Clara Nitro. Gosto da postura de agências gringas como a Santo (Argentina) e a Naked NY.

10- Como se costume: como você vê a propaganda cearense daqui a 10 anos?
Aposto e continuo apostando em nosso mercado, senão estaria longe há tempos. Acredito que cada vez mais é possível fazer daqui para qualquer lugar, mas precisamos de mais qualidade em todos os setores da agência, de qualificação nos departamentos de marketing, nos veículos, fornecedores e no próprio cliente. Acredito que estamos nesse caminho, muita coisa mudou já, mas falta um bocadim.

11- Essa mesma pergunta foi feita ao mestre Bittencourt: resuma a propaganda cearense em apenas uma frase.
Fazemos milagre com mesada, queremos e merecemos um lugar ao sol.

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Valeu, André! Abraço a todos e até o próximo post.


por Kenzo Kimura




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A folga acabou e a rotina voltou. Depois de três dias recarregando as baterias, nada melhor do que informações fresquinhas, recém tiradas do pé, não é mesmo? Portanto, com vocês: o Entre Rafis do mês de maio.

Depois de passear pela sala da criação, neste mês o Rafiado deu um pulo em outro setor importantíssimo dentro de uma agência de propaganda. De lá, saem todas as peças para os meios de comunicação: a Arte Final.

E, para falar um pouco sobre o universo da Arte Final, bati um papo com uma figura cujo talento e simpatia são tão grandes quanto sua barriga (Brincadeira). Sem mais delongas, abram alas para o arte finalista, Leandro Fiuza.

Para você conhecer e reconhecer alguns dos trabalhos do Leandro, ao final de cada pergunta tem uma peça feita por ele em agências de propaganda e trabalhos freelancers, mostrando o antes e o depois de cada uma.

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Quem é Leandro Fiuza?

Leandro Fiuza é um cara gente boa… Brincadeira. Nasci em Fortaleza e logo na infância me apaixonei por publicidade e propaganda. Acompanho meu pai desde pequeno e sempre achei muito interessante a forma como as coisas aconteciam nas agências. Mesmo quando ainda nem existiam computadores, por meu pai – o diretor de arte Moésio Fiuza – sempre ter trabalhado na área, eu já me metia nesse mundo de fotografias, tratamentos de imagens, diagramação, etc. Comecei com 16 anos auxiliando os arte-finalistas em diagramação e tratamento de imagens onde tive a sorte de trabalhar com um grande profissional chamado Joevan Pinheiro que, dentre os que conheço, é um dos melhores. Trabalhei em 3 agências até hoje: Slogan, Ágil e atualmente na 333 Propaganda. Procuro fazer meu trabalho da melhor forma possível, sempre extraindo o máximo de qualidade que os softwares de edição de imagem e diagramação oferecem para que o resultado final seja o mais satisfatório possível.


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1- O que ou quem te levou a traçar o caminho da arte final?
A pessoa que mais me influenciou para esse caminho foi meu pai — a quem devo tudo que sou hoje —, por ser, além de um excelente profissional, uma figura encantadora que todos gostam e por ajudar as pessoas da melhor forma possível. Eu sempre me espelhei nele, pois o tenho como a melhor pessoa do mundo. Então, nada mais esperado do que seguir sua trajetória profissional, e graças a Deus tive ele para mostrar os melhores caminhos – o que eu devia ou não fazer – e por ter feito o melhor por mim. Sem ele eu não seria nada. E, como eu já falei, outra pessoa para quem eu tiro o chapéu e que me ajudou a traçar esse caminho chama-se Joevan Pinheiro. Joevan começou trabalhando com meu pai ainda na época da prancheta onde tudo era feito à mão, sem auxílio de computadores, canetas ópticas e etc. Quando os computadores chegaram, adaptou-se facilmente e hoje é um profissional exemplar. Outro fator, não menos importante, que me manteve nesse caminho foi a paixão que despertei por tratamento e manipulação de imagens.


2- Como foi trabalhar com o seu pai, Moésio Fiuza, na Slogan?

Foi a melhor coisa que pôde me acontecer, lá aprendi a trabalhar de forma correta e a separar bem o profissional do pessoal, sempre sendo cobrado por trabalhos bem feitos e bem acabados, não importando ser ou não seu filho. Meu pai me ensinou muita técnica de iluminação, luz e sombras, pois como ele trabalhou desde a época que ainda não existiam computadores, adquiriu muita noção de luz e desenho e, graças a Deus, tive a oportunidade de trabalhar com ele, o que fez toda a diferença na min
ha carreira. Trabalhar com ele foi essencial para o meu crescimento profissional.


3- Como você se mantém atualizado na sua profissão?

Sempre procuro atualização na internet, compro revistas e livros lançados recentemente sobre Photoshop, Illustrator, fechamento de arquivos, converso muito com profissionais de gráficas e profissionais de pré-impressão para trocar idéias sobre saída de impressão, perfis de cor, etc. Anualmente, sempre que possível, vou à São Paulo para uma conferência que é um banho de atualização, o Photoshop Conference. Qualquer forma de atualização no que diz respeito a softwares e periféricos é muito bem-vinda.


4- Como é construir carreira de arte finalista no Ceará?
Não é nada fácil por não haver cursos específicos de arte-final. Onde se aprende de verdade é dentro das agências. O grande problema disso é que as coisas acontecem
muito rápido e não se tem tempo para ter um estagiário de arte-final, que possa aprender como se trabalha de verdade, como se libera arquivos corretos e seguros para impressão, etc. Outro problema é que arte-final é um trabalho muito complexo, onde tudo tem que sair perfeito e sem erros, pois o que sai da arte-final é o que vai ser impresso. Um simples folder no formato A3 aberto, se liberado para a gráfica, seja ela rápida ou convencional (off set), pode botar a perder milhões de impressos. Por isso, as agências têm que ter profissionais de arte-final capacitados para que a finalização e liberação de arquivos seja perfeita, eliminando qualquer possibilidade de erros. Essa é a maior dificuldade para um arte-finalista construir uma carreira e isso fecha cada vez mais o mercado para possíveis profissionais, mesmo capacitados.


5- Fortaleza atende às expectativas de um arte finalista ou ainda ex
iste aquela necessidade de trabalhar em outro estado ou país?
Sim, Fortaleza atende às expectativas. O grande problema é que os clientes não querem pagar produção, fazendo com que muitas vezes não se tenham imagens de qualidade para trabalhar. A necessidade que um arte-finalista sente em ir para outro estado ou país vem daí. Em São Paulo, por exemplo, se produzem fotos fantásticas, tendo em vista que os clientes investem de verdade em produções fotográficas tornando o trabalho do arte-finalista muito mais rico e perfeito. Arte-finalista aqui no Ceará faz tudo: diagramação, correções de texto, vetorização, tratamento de imagens e fechamento de arquivos profissionais. Novamente, em São Paulo (cito São Paulo por ser referência no mercado publicitário brasileiro), por exemplo, funciona diferente: ARTE-FINALISTA faz diagramação, correções de texto, vetorizações e fechamento de arquivos. O RETOCADOR faz um trabalho que é chamado de SISTEMA, que é o trabalho específico de tratamento e manipulação de imagens.


6- Você dá pitaco em direção de arte?

Sempre que possível, sim. O bom arte-finalista sempre dá pitaco em direção de arte. Mas o pitaco é em relação a iluminação de ambientes, ambientação de imagens, textos que não dão leitura, forma como textos e elementos visuais são distribuídos, anúncios muito escuros que, por experiência, nós artes-finalistas sabemos que não ficarão legais no jornal. Tive sorte, até hoje, de trabalhar com diretores de arte legais onde eles mesmo aprovam esse olho clínico que nós temos. É comum o diretor de arte ficar tão envolvido no trabalho que não consegue ver que uma luz a mais ou a menos vai deixar o layout muito mais bonito ou glamouroso, que um texto pode até estar lindo na tela, mas não funcionará quando for impresso. O arte-finalista também tem que estar ligado para qual público-alvo será direcionado o trabalho que está sendo finalizado, pois, em uma peça direcionada à pessoas da terceira idade, por exemplo, não se deve usar fontes muito pequenas e de tipias muito fina. Na hora do tratamento temos que ter senso estético para o tipo de imagem determinado. Por exemplo, se for tratar uma imagem de comida e o diretor de arte fez um layout com tons frios, deve-se dizer que aquela comida, se for o caso, ficaria melhor em tons quentes puxando para o amarelo e vermelho — que aguçam a “fome” do receptor. Mas isso tudo deve ser conversado com o diretor de arte, não devendo nunca fazer qualquer alteração no layout ou tonalidade por conta própria sem avisá-lo. Tudo que for para melhorar a peça publicitária há de ser conversado com o diretor de arte para ver se a alteração pode ser feita ou não.


7- São qualidades essenciais de um arte finalista…

O bom arte-finalista é aquele que tem senso estético apurado e enxerga sempre além do que é feito normalmente. Ele deve ser extremamente cuidadoso e atencioso em todos os pontos do trabalho: diagramação de textos, controle de viúvas em textos, alinhamentos perfeitos e coerentes, sombras corretas e coerentes, imagens bem tratadas, etc.


8- O Ceará está bem servido de artes-finalistas?

Acho que sim. No Ceará temos artes-finalistas para todos os gostos. Tem gente que se dá melhor com arte-final na diagramação, outros com tratamento de imagem, e tem aqueles que fazem tudo muito bem. Aqui nós temos profissionais muito bons, sim.



9- Essa pergunta está em todos os Entre Rafis: como você vê a propaganda cearense daqui a 10 anos?
Bem, eu gosto de pensar que daqui a 10 anos a propaganda cearense estará bem melhor do que hoje. Espero que, o quanto antes, nossa propaganda esteja melhor produzida, com campanhas mais criativas, imagens cada vez melhores (se avançar de acordo com a velocidade da tecnologia, está bom demais), clientes mais dispostos a investir em boas propagandas. Hoje ainda é muito limitado, pois sem investimentos não se têm boas produções, como fotografias e produção de VTs. Enfim, espero estarmos bem à frente de nossas expectativas.



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Ponto final no Entre Rafis deste mês. Vejo vocês no próximo post.



por Kenzo Kimura




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No último Entre Rafis, o Bitten comentou sobre uma campanha cearense, baseada na técnica da xilogravura e que foi muito bem vista lá fora e muito premiada também. Depois de muita procura, consegui encontrá-la!


A campanha foi feita pela extinta Avantti para o aniversário de 74 anos do jornal O Povo e contou com a direção de arte do grande Kleyton Mourão, hoje na Fischer América, com a ilustração do Rafael Limaverde, os redatores Leonardo Gonçalves e Pedro Guerra, e o diretor de criação, Edison Izipetto.



Realmente de encher os olhos.


por Kenzo Kimura




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Pensei em muitas maneiras de começar o Entre Rafis deste mês. Inúmeros adjetivos que descrevessem e fizessem jus a todas as qualidades dessa figura que tive a honra de entrevistar. Mas depois de tanto quebrar a cabeça, descobri que não tenho palavras para falar desse cara. Sorte a minha que ele tem muitas.

É com um imenso prazer que deixo vocês agora com o entrevistado do mês, o mestre: Carlos Bittencourt.

Ah, pode chamá-lo de Bitten. Segundo ele, só não vale “Bittencuzinho” e “Bittencuzão”.

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Quem é Carlos Bittencourt?


Alto, magro, bonito e sensual… Bem, não é nada disso. Gosto de propaganda desde que me lembro. Se duvidar, aprendi a a ler vendo as placas de loja nas ruas. Cantava jingles e imitava comerciais de TV todas as vezes que eu minha irmã viajávamos no banco traseiro do fusquinha 66 do meu pai. Depois, tomei gosto pelas artes, escrevia muito, fazia quadrinhos. Fui um daqueles meninos que passava o tempo todo inventando coisa. Com 9 anos fiz um roteiro de uma filme de ficção com os meus bonecos. Filmei em Super 8 e exibi pra família. A partir daí, de alguma forma, a propaganda se fazia presente. Meu tio Carlos Paiva – redator de mão cheia e uma daquelas figuras históricas da propaganda cearense – teve muita influência na escolha da profissão. Eu devia ter uns 14 anos e ele me deu um livrinho básico sobre propaganda. Também é dele o nome de guerra que uso. De verdade, meu nome é Carlos Eduardo Bittencourt Paiva, aí, fomos trabalhar juntos e ele, por direito geriátrico, ficou com o nome dele. Acabou me chamando de Bittencourt. Virou o nome artístico. Foi ótimo, todo semestre eu faço uma piada nas instituições de ensino que dou aulas. Aos 16 fiz um curso de Desenho de Propaganda no SENAC do Rio de Janeiro e, depois disso, a propaganda entrou no sangue de vez. Mas fiz muita coisa… Fotografia, vídeo, direção de imagem, trabalhei em ONG, produtora e música. Vim para o Ceará convidado pelo Xyco Teóphilo. Aí, não voltei mais. Já são quase 15 anos. Aqui, passei pela Terraço, Ronma, Síntese, Máxima, Advance e, hoje, sou empresário dono de bodega: a Ipsilon Comunicação. Eu, o Erick Picanço e o Márcio Bastos lutamos para fazer uma agência voltada para o planejamento. E, acredito, estamos indo bem. Agora chega, né? Senão, fico contando história e não falo do resto…

***


1- Responda-me, grande Bitten, Redator publicitário tem licença poética?
Tem um bocado de poesia. Mas as licenças… Bem, arriscamos um bocado. Matamos o português, inventamos frases complicadas e, muitas vezes, até criamos uns neologismos… Mas não tem muita liberdade não. Nosso compromisso é atender as demandas de co
municação… Procuramos fazer isso da melhor maneira, mas sem nunca perder o foco nos resultados. Sempre arrumo confusão com isso. Não vejo propaganda como arte, usamos muitas técnicas artísticas mas, definitivamente, não me sinto um artista. Nunca acordei querendo fazer uma propaganda de sabão em pó para expressar minhas angústias. Chego na agência e um briefing me espera. Em casa, nas horas vagas, sento para escrever algumas besteiras para expressar meus sentimentos. Aí, tomo todos as licenças que posso. Na agência, sempre analiso até que ponto posso utilizá-las.

2- “O freguês tem sempre razão”. Isso vale para a propaganda?
O freguês tem sempre razão até a hora que a gente mostra que ele está errado. Não vale como verdade para propaganda. Aliás, não vale como verdade para quase nada. Uma vez li as regras de ouro da TAM. A primeira dizia: “O Cliente tem sempre razão”. A segunda, dizia mais ou menos assim: “Quando o cliente está errado, lei a primeira regra.”. Bem, pensei comigo, dá próxima vez que voar TAM vou pedir pro piloto deixar que eu pilote o avião. Se ele não quiser, vou mandar o cabra ler a primeira regra. Se ele insistir em não deixar, mando ele ler a segunda. Fica bonito no papel. Mas, na prática, o cliente entende pouco dos assuntos que fogem da alçada dele. Com propaganda é a mesma coisa. O cliente não conhece as nuances do mercado, as sutilezas do texto e do leiaute publicitário. Ele contrata uma agência e muitas vezes, temos que dizer coisas que ele não gosta de ouvir. O limite das discussões com o cliente é, na minha opinião, a ética. Fazer o que ele quer e ganhar um dinheiro mole ou, dizer e fazer o que ele precisa e, mais adiante, ganhar a admiração. O cliente, na verdade, poucas vezes é o dono da razão. Pelo menos no que concerne à publicidade.

3- Por quê as agências daqui ainda não abriram os olhos para as mídias on-line?
Perguntinha complicada… Acho que tem muita agência que não vê com bons olhos esse negócio de novas mídias. Não conseguem extrair os 20% e preferem direcionar a grana para mídias mais “seguras”. Por outro lado, aqui pelo nosso estado, carecemos de maior embasamento. Temos poucas pesquisas, retornos superestimados ou excessivamente sombrios. Tem esse negócio da geração de conteúdo que exige um maior aprofundamento. É uma linguagem viva, está em permanente estado de transformação. Muitas agências estão velhas. Os donos viraram outra coisa quem não publicitários. Perderam o contato com o mundo. É fundamental estar permanentemente conectado. Caçar as novidades no Youtube, circular pelos blogs, orkuts, twitters e todas essas ferramentas novas que se oferecem diariamente. Muitas agências ainda pensam que internet ou é jornal ou TV no computador. Não compreendem a essência, as diferenças. Ficam com medo e não arriscam.

4- Quem é mais competente: o Bittencourt-Redator, o Bittencourt-Diretor de Criação, o Bittencourt-Planejamento ou o Bittencourt-Sócio da Ipsilon?
Vixe! E olha que você ainda esqueceu o Bittencourt gaitista… Acho que ainda me sinto mais confortável na frente de uma tela desenvolvendo campanhas ou planejamentos. Mas, apesar de burro velho, ainda consigo aprender alguns truques novos. Virar dono de agência tem me ensinado muito. Inclusive tenho perdoado alguns pecados de meus antigos patrões. Não que deseje repeti-los, mas começo a compreender as dificuldades de ganhar dinheiro com essa atividade tão pouco respeitada aqui na nossa terra. A direção de criação hoje, na agência, está por conta do Márcio Bastos. Acabo virando um conselheiro de criação, participando de discussões mais amplas. Quando estou escrevendo, ele manda e eu obedeço. Na verdade, eu amo a publicidade, ainda vibro quando encontro um bom cam
inho ou vejo o trabalho dos colegas. Ainda acordo pensando nos desafios do dia como uma coisa legal. Não me imagino fazendo outra coisa.

Bitten em ação com sua banda de blues no Festival de Guaramiranga: Bittenblues.

5- “Só quem gosta de propaganda é publicitário”. Verdadeiro ou falso? Por quê?
Falso e verdadeiro. É falso porque, de verdade, nem publicitário gosta de propaganda. Já pensou? Você lá, no escurinho do cinema, curtindo o Cavaleiro das Trevas e, bem na hora que o Coringa vai fazer alguma, entra uma propaganda das Casas Bahia… Não dá. Ninguém gosta. Aí é que está a verdade e o grande desafio da nossa atividade. Cativar um público que não tá nem aí para o que a gente está oferecendo. O sujeito tá em casa vendo TV, entra o comercial, ou ele levanta ou muda de canal. Na revista e no rádio é a mesma coisa. Essa verdade só muda quando o consumidor está buscando produtos específicos. Aí, pinta a propaganda e ele fica ligado. Tentando ver onde começam as verdades sobre o produto e terminam os exageros da propaganda. Mas, quando a gente está publicitário. Ou seja, trabalhando ou buscando referências, adora “futricar” em sites ou anuários.

6- Vale a pena um profissional de criação sair daqui para tentar a vida e a sorte em agências de São Paulo?
Sempre vale a pena buscar os sonhos. Os meus fizeram o caminho inverso. Eu morava no Rio, trabalhava por lá, mas queria uma vida diferente, mais tranquila, com tempo para a família e coisas assim. Fortaleza prometia essas coisas. Mudou um bocado, é verdade, mas se você passar uns tempos em Sampa… O negócio por lá ainda é mais puxado. Mas a Meca é lá. Lá estão “os caras”, as grandes agências, os clientes de verdade. Não é uma vida fácil, mas se esse é o seu sonho. Meta as caras. Vencer em São Paulo é vencer no mundo. Talento temos de sobra. O cearense é um cabra danado, criativo e tudo o mais. Muitos dos nossos meninos estão lá mostrando como é que se faz. Mas tudo tem um preço. São Paulo é só trabalho. Não tem Jericoacoara nem Canoa Quebrada. Não tem caranguejo às quintas-feiras nem a “fulerage” da negada. Mas tem uma vida cultural digna dos maiores centros do mundo e uma ruma de dinheiro. Cada um sabe a dor e a delícia e onde apertam os calos. Não é mais para mim.

7- O modo de se fazer propaganda no Ceará se difere dos outros estados ou, com a globalização, a propaganda se homogeneizou?
Essa é um discussão antiga. Óbvio que temos nosso jeito de fazer propaganda. Lembro, inclusive, da campanha do jornal O Povo que papou 6 medalhas no CCSP. Aqui, ela passou meio desapercebida. Muito bacana, mas pouco comentada. Quando a paulistada viu as xilos, pirou. Parecia ser uma coisa realmente moderna, de outro mundo. Os caras tinham cansado de tudo que faziam. Os meninos aproveitaram o sucesso e se mandaram para São Paulo. A maioria ainda está lá, muito bem, fazendo muito sucesso. Esse exemplo, ao meu ver, traduz um pouco o que deve ser a globalização. Se você não tem algo seu para acrescentar, se perde. Fica reproduzindo o que é feito – e melhor – pelos outros. É preciso colocar algo seu, da sua região. Os Raimundos, pra mim são um exemplo legal. Misturaram Pernambuco com o rock e foram, num determinado momento, algo novo. Então, só para amarrar, temos que nos despasteurizar, valorizar o que é nosso e entender a globalização como uma soma, e não como uma subtração.

8- “As propagandas do Ceará não prestam, são horríveis”. Você acha que esse pensamento se deve à cabeça dos clientes ou ao posicionamento das agências?
Eu não acredito que a nossa propaganda não presta. Somos bons e temos muitos exemplos disso. Agências premiadas, clientes locais com resultados expressivos no cenário nacional. Tudo feito por aqui. Mas, é verdade, nosso cliente médio é conservador. A luta é mudar isso com competência, ética e respeito pelas diferenças. Aí, talvez, também as agências tenham sua parcela de culpa. Acabam cedendo, tendo que sobreviver. Nesse ponto, muitas vezes, mingau encaroça. Já tive a oportunidade de trabalhar com clientes nacionais que eram atendidos por agências locais, daqui do Ceará mesmo. Nosso trabalho não deixa nada a dever aos demais. Se você pensar, conforme coloquei na resposta anterior, muitas vezes são os cearenses fazendo o que sabem em outros estados. Não existe melhor ou pior. Nosso mercado é menor e isso tem um preço. A gente se ilude muito com o que é feito fora. Mas acaba vendo apenas o trabalho das grandes empresas e grandes agências. Quem teve a oportunidade de passar algumas horas na frente de televisões no Rio, São Paulo, Los Angeles ou Londres, viu que a maioria dos comerciais veiculados é ruim. A proporção é parecida. Tem pouca coisa boa e muita coisa ruim.

9- O que difere a Ipsilon Comunicação das outras agências cearenses?
Seria muita pretensão acreditarmos que somos absolutamente diferente das demais. Nossa agência tem foco no planejamento. Gostamos de saber exatamente o que fazer para nossos clientes com antecedência. Prever cenários, momentos em que é melhor defender que atacar. Temos, eu e os sócios, uma forte ligação acadêmica. Procuramos colocar em prática o que apregoamos em sala de aula. Isso tem dado resultados. Nossos clientes têm obtido resultados pra lá de satisfatórios. Mas somos uma agência pequena, com as dificuldades inerentes a esta característica. Não nos vendemos melhor do que ninguém. Apenas entendemos que poucas empresas de comunicação em nosso estado trabalham com foco. A maioria quer apenas veicular propagandas. Gastamos muito papel e neurônios antes de colocarmos a comunicação do cliente nas ruas. E, graças a Deus, quando fazemos isso, os resultados têm sido excelentes para ambos. Ao lado desse foco no planejamento, temos o orgulho de ser uma agência onde todos têm prazer em trabalhar. Procuramos aposentar o chicote e, na conversa, criar um ambiente criativo e produtivo. Nem todos se enquadram, é verdade, mas acreditamos que essa é a melhor abordagem.

10- O mercado publicitário cearense briga por migalhas ou tem pão pra todo mundo?
Friamente, sabemos que o mercado é pequeno, extremamente dependente das contas públicas etc e tal. Mas, onde comem 4, comem 5. Não chega a ser assim um pão enorme. Mas está crescendo e oferece oportunidades de negócios para todos. Lamento apenas que algumas empresas tenham uma postura pouco ética em relação aos clientes das outras e façam o famoso leilão do “quem dá menos”. Mas também tem o outro lado, pessoas que se colocam acima dessas mesquinharias e que têm posições muito bacanas. Existem muitas agências parceiras, que lutam pela melhoria do mercado como um todo. Tenho o orgulho de dizer que possuo bons amigos entre os donos de agências.

11- Ser dono de agência no Ceará é um bom negócio?
Tomara! É uma luta diária. Nossa agência ainda é uma empresa pequena, que vai para rua em busca de clientes que apostem em crescimento, esqueçam as desculpas da crise e pensem em construir um mercado melhor. Não ganho dinheiro, ainda estou naquela fase do investimento. Tem dias que dá uma certa preocupação. Mas o trabalho tem gerado resultados, temos clientes fiéis e satisfeitos. É uma questão de tempo. Trabalhamos concentrados em nossos clientes. Temos objetivos e planejamos com precisão onde queremos chegar. Então, não tem jeito, mais cedo ou mais tarde os resultados virão. Outra coisa legal é a oportunidade de trazer novos talentos, contribuir para formação de novos de profissionais. Não sei ainda se é um bom negócio, mas a gente se diverte um bocado.

12- Pra trabalhar com criação basta ser criativo?
Ser criativo ajuda, mas é preciso bem mais que isso. Conheci muitos profissionais de criação que se preocupavam apenas em fazer suas peças. Hoje isso mudou um bocado. O foco é no planejamento. Conhecer as nuances da criação é importante, mas ficar atento às necessidades do cliente e as variações do mercado também é importante. Conhecer a concorrência, reconhecer oportunidades, tendências… Vivemos a época da comunicação integrada, da internet, do marketing de experimentação, das ações alternativas. Os profissionais que pensam apenas no anúncio, estão perdendo espaço no mercado. Queremos profissionais preparados, com visão holística da comunicação. Eu particularmente, tenho um certo receio do criador estrela. Aquele cara que mal fala com os outros da agência e que passa o tempo a se achar o máximo. Prefiro o pé de boi. Aquele profissional que, mesmo não sendo o rei do insight, trabalha muito a idéia, busca informação e se prepara para enfrentar desafios.

13- Alguma propaganda ou campanha chamou sua atenção, positivamente, nos últimos meses?
Gostei muito de uns VTs da Heineken. Aquele que mostra as diferenças entre homens e mulheres. As mulheres mostram os sapatos e os homens a geladeira cheia de Heineken. Achei divertido.

Obs.: Recentemente, a Bavaria pegou carona nessa campanha também. Mas, claro, tirando sarro.

14- Que conselho você tem a dar a quem está começando na criação?
Esqueça as idéias que você já viu e busque encontrar coisas novas. Fundamental levantar informações, se preparar. Tem que saber o que está acontecendo no mundo. Ver TV, ler revistas e jornais e navegar na internet. O cara tem que ser uma esponja de conhecimento. Ler autores consagrados de marketing e planejamento ajuda. Kotler, Schmith, Al Ries… Com tudo isso na cabeça, pode enfrentar qualquer job. Ah, não esquecer a humildade. Ninguém em propaganda é genial sozinho. Agência é trabalho coletivo.

15- Como você vê a propaganda cearense daqui a 10 anos?
A formação é a tônica do nosso mercado. São muitos cursos de publicidade e propaganda, isto tem que gerar frutos no futuro. Vamos ter profissionais melhores em todos os segmentos, inclusive no cliente. Quando o cliente se profissionalizar, ninguém vai segurar nosso mercado. Depois, muita gente está indo para São Paulo. Alguns vão e ficam por lá. Outros cansam e voltam. Trazem uma bagagem diferente e uma vontade de ter aqui o que encontraram por lá. O mercado só tende a melhorar. Sou daqueles caras otimistas.

16- Resuma a propaganda cearense em uma frase.
A propaganda cearense é uma eterna adolescente com síndrome de Peter Pan.

***


Quando eu crescer quero ser que nem esse cara. Mas, claro, sem torcer pelo Fluminense. Valeu, Bitten. Grande abraço.



por Kenzo Kimura




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O segundo Entre Rafis do RAFIADO veio direto de Portugal (chique, né?). Diferente do primeiro, esse foi mais um “diário” do que uma entrevista propriamente dita. E, para gerar um pouco de conteúdo nesse blog (pra variar um pouco), convidei (intimei) meu grande amigo, publicitário, diretor de arte e pós-graduando em Design, Diego Henrique, que vai mostrar a quantas anda o nosso ofício “nas europa”. Vai ser uma longa viagem, mas , graças a Deus (ou melhor, ao Diego) nós temos uma salada de conteúdo pra forrar nossa barriga. Bon appétit.

***




Olá (começar um texto é sempre difícil para mim).

Acho melhor antes de qualquer coisa, faço alguns alertas:

1- Sou tão bom redigindo algo quanto cozinhando (minha especialidade é arroz queimado);

2- A qualidade (ou a ausência dela) das fotos é de responsabilidade minha. Como esse material eu vinha coletando somente pra mim, não tinha a preocupação com a qualidade do registro, para mim bastava registar que já me dava por contente.

3- A opinião aqui expressa é pura e simplesmente MINHA, não caiam na besteira de considerar isso como verdade absoluta e universal, nem tão pouco algo de muita relevância. É só o meu ponto de vista e só.

Como o que tenho para falar é muito, vou dividir por tópicos, assim ninguém cansa:

Adaptação de Marcas

Aqui desses lados do oceano eles compartilham de algumas marcas marcas também presentes por aí, mas com uma sutil diferença: o nome. Não sei o real motivo, mas que deve existir um isso eu garanto. Dois exemplos que eu consegui registrar foram das nossas Kibon e Elma Chips,que pelos lados de cá atendem pelo nome de Olá e Matutano, respectivamente. E como já é de se esperar, também existem produtos que para nós são corriqueiros como os Frutares e Fandangos que aqui são substituídos pelos Soleros ou omitidos da gama de produtos oferecidos. Segue aí registro das duas marcas. Devem haver muitas outras, mas ainda não deu tempo eu perceber.





Evolução da Marca

Encontrei nesse sábado de carnaval aqui no porto num café a evolução da marca do café Sical. Não me perguntem de quando em quando aconteceram essas alterações, não consegui descobrir ainda, mas vou procurar. Segue aí as 3 fases da marca. A primeira com uma mulata carnuda, que após a primeira atualização rejuvenesceu e ganhou seios mais fartos e por fim, a abstração total da imagem da mulata que ficou ainda mais jovem e mais magra de acordo com os padrões de beleza existentes hoje.





Design de Marca

Um exemplo interessante que consegui registrar foi a marca do Café Bertrand da cidade de Aveiro. É uma livraria com espaço para cafetaria (conceito ainda recente por aqui adotado ainda somente pelas livrarias de maior porte) em que a marca e a decoração são desenhadas usando somente tipos.


Marcas Chupadas

Não sei onde esse pessoal estava com a cabeça na hora que resolveu reutilizar. Não sei em se isso é chupada. Porque quando o pessoal chupa tenta mudar uma coisa ou outra, mas no caso do Alto Astral Restaurante eles pegaram o mascote de um dos carnavais de Pernambuco e fizeram dele sua marca. Já a empresa Jandaia pelo menos tentou dar uma disfarçadinha. Eles por um acaso acharam que nunca, nenhum dos milhares de brasileiros que há por aqui iriam reconhecer aquilo?






Produção Gráfica

Aqui ainda é possível encontrar exemplares de livros à moda antiga em que as páginas eram impressas dobradas mas não era refiladas. E o melhor é que esses exemplares são encontrados facilmente nas constantes feiras de livros promovidas em parceria com a rede de transportes do metro.




É possível encontrar também posters originais da década de 20 (daqueles que a gente ver em todo livro de comunicação visual, história da arte e design em alfarrabistas pela bagatela de 20 ou 30 euros (fico devendo o registro pra uma próxima vez, se houver convite para escrever aqui novamente, porque no dia que descobri o alfarrabista, estava sem a câmera fotográfica e quando passei lá em frente já munido da máquina, o lado da vitrine estava com as janelas fechadas).

Diferencial de Mercado

Por incrível que pareça, aqui ainda é um diferencial de mercado as lojas que não estão nos centros comerciais abrir aos fins de semana. Farmácia aberta 24 horas é algo que ainda vão inventar por aqui. Dia desses a primeira farmácia dita 24h virou notícia de jornal. A farmácia na realidade funciona das 8h às 24h, no restante das oras fica disponível em endereço on-line. Agora me diz: todo mundo que tem um endereço eletrônico está disponível 24 horas, se for seguir esse conceito. Tou errado?










Importados

Jogar porrinha, Uno ou truco e o vencedor ou perdedor ter que tomar um gole de cachaça aqui não é muito normal. Até porque cachaça é artigo de importação. Se quiser se embebedar na jogatina ou só mesmo tomar uns copinhos, o grande barato é comprar vinho do porto por 1,45€/L. Cachaça aqui é coisa para quem é fino e bem relacionado. Olha só o encarte anunciando a promoção de um litro de Ypioca.

Pois bem acho que é isso. Qualquer coisa (menos dinheiro emprestado porque a grana tá curta) estamos aí. Abraço a todos.

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Quem quiser entrar em contato com essa figuraça, pode perturbar ele por este e-mail: dieugo@gmail.com. E até o próximo Entre Rafis.



por Kenzo Kimura




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Dando o ponta pé inicial do quadro Entre Rafis, tive o prazer de entrevistar o diretor de arte Sílvio César. Com larga experiência de mercado, esse criador peso pesado (intelectua e fisicamente) tem no seu currículo passagens pelas agências: Advance, SG Propag, Ipsilon, entre outras. Atualmente, exerce o cargo na Decifra Comunicação (onde tenho a honra de tê-lo como dupla de criação).

Em um papo informal e bem descontraído, trocamos umas idéias sobre a propaganda cearense e otras cositas más. Saca só!

ENTRE RAFIS com Sílvio César (diretor de arte)
1) Grande Sílvio, muitos criticam a propaganda cearense por considerá-la, essencialmente, varejista. Você compartilha do mesmo pensamento?
S.C: Quem diz isso é porque não tem visto muita coisa no resto do país. Recentemente, o Nizan Guanaes causou polêmica no Maximídia bradando que, por causa da crise econômica mundial e tal, não é o momento de investir no novo, de buscar se diferenciar. Deu até briga feia com o Fábio Fernandes.
Se o Nizan abre a boca pra dizer isso, daí você tira como anda esse negócio todo. Se você pegar uma Veja, por exemplo, vai ver que o nível tá bem baixo. A maioria é varejo mesmo. Tudo bem bonito, tudo bem fotografado. Mas com pouca coisa que valha. Não é a toa que o maior anunciante do país seja a Casas Bahia. Recentemente a Companhia Barbixas de Humor fez uma paródia bem engraçada dessa linguagem consagrada que a gente usa no varejo.
Talvez isso seja um reflexo do momento em que o pais está, essa incerteza toda de como vai ser o futuro. Mas graças a Deus que tem gente que não acredita nessas besteiras e corre atrás fazendo coisa boa. Mesmo no varejo, que todo mundo pensa que só sai porcaria. Mentira. Dá pra fazer coisa boa no varejo também, os anuários do CCSP estão aí para comprovar.
Enfim, propaganda ruim tem em todo canto. É idiotice pensar que isso seja exclusividade um mercado ou outro.

2) “Quem manda é o cliente”. Verdadeiro ou falso?
S.C: Acho que tem um fundo de verdade nisso aí. Mas depende de quem estamos falando…

3) Na sua opinião, qual agência cearense se destaca por campanhas não só criativas, mas com bom planejamento?
S.C: Acho a Verve bem consistente tanto criativamente quanto em unidade. A Integra também se destaca, com idéias bem feitas. Tem gente muito boa por aqui, ainda bem.

4) Nos últimos anos, a publicidade tem visto o nascimento de diversas novas mídias. Você acha que as agências daqui têm acompanhado essa nova postura?
S.C: Tá começando. Acompanho com ansiedade o que a 101 Macaco, juntamente com a Fundamental Conteúdo anda fazendo para a Athos, loja de roupas masculina, em sua campanha “O homem perfeito existe?”. Espero muito que isso dê certo e abra a cabeça do empresariado local para as possibilidades das novas mídias. Lá fora isso já é realidade. Como uma onda, eu espero que isso se espalhe logo e chegue como um tsunami por aqui.

5) Como você vê a propaganda cearense daqui a cinco anos?
S.C: Com bons olhos. Sabe por quê? Porque sou otimista e acredito que pior do que está não pode ficar. Mas isso só depende da gente.

6) Que conselhos você tem a dar a estagiários de criação?
S.C: Que estudem todo o santo dia esse ofício. Com a internet, acabou a necessidade de se estar atualizado gastando rios de dinheiro com livros de propaganda e anuários. Não tem desculpa. Tá tudo ai. Leiam bastante, escrevam bastante. Sejam chatos sempre, questionando e buscando sempre o novo.

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Quem quiser conhecer mais sobre essa grande figura, acessem Tapiocaria.

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por Kenzo Kimura




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A cabeça é chata, a propaganda, não.
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