Passei 7 meses estagiando free na Criação da Ágil e pedi pra sair. Fui estudar e estagiar em outras áreas, além de ter experiências no Jornalismo como repórter de rádio, TV e chegando por fim a virar apresentador da TVC em 1998. Parecia que meu destino era a telinha. Mas, participei de um Prêmio Estudantil, o Gianinni Mastroianni de Novos Talentos da Propaganda, com 300 inscritos ficamos eu e o meu dupla Alexandre Vale (hoje na Fala!) em primeiro lugar. Ganhamos passagem, hospedagem em Cannes, 6 meses de Dragão do Mar grátis, assinaturas de revistas de marketing e estágio remunerado em agência. Larguei o jornalismo. Voltei para a Ágil levando o Alexandre, a pedido do Kleyton e da Raquel Barros (hoje Dez). Me formei em 1999 aos 21 anos, fui contratado como redator profissional na Ágil e em 2000 pedi pra sair e fui pra Sampa morar com uma prima que até hoje é diretora de arte da DPZ, Ana Laura Gomes. Voltei após 3 meses por causa de uma namorada na época e por propostas de 3 agências, 2 locais e uma de Recife. Desde então fiquei na Ágil pela terceira vez, depois Mark Propaganda, Slogan e então sai e montei com 3 sócios o Time de Comunicação. Participamos vitoriosamente da Campanha que elegeu a Luizianne Lins, conquistamos contas, alguns prêmios e em 2007 me desliguei da sociedade e fui para a Advance Comunicação para coordenar o núcleo da Prefeitura de Fortaleza. Acabei virando criativo da agência, trabalhando para todos os clientes desde 2007. Já são 13 anos de correria e uns 34 prêmios, mas o jogo tá só começando.
2- Além de redator, você é professor e coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade Católica do Ceará. De que modo o meio acadêmico influencia a sua profissão?
Me alimenta em vários sentidos, pois do ponto de vista financeiro sei que não precisaria dedicar tanto tempo numa Faculdade para obter aquela quantia no fim do mês. Num semestre que fiquei sem dar aula, quando minhas filhas nasceram, ganhei mais com trabalhos por fora que dando aula. Professores deviam ser mais valorizados, são fundamentais. Então acho que é algo que pago pra ver, no acúmulo de conteúdos, na contribuição para o encaminhamento de alunos, no aconselhamento, coisas que não tive. Fui muito autodidata e contei com grandes professores na vida e no Curso de Jornalismo. O desafio de coordenar ai além da sala de aula, pois tenho que enxergar o curso como um todo e resolver problemas com o que tenho ao meu alcance. E aí haja criatividade e vontade.
3- Quais são as suas principais fontes de referência e atualização?
Minha principal referência é a vida. Passei a fase de mesa de bar com publicitários, não tenho tempo, nem saco mesmo. Prefiro reunir os amigos variando as casas. Vejo muito adulto adolescente em agência, tô em outra, quero mais do que curtir a vida adoidado.
Por ter cursado Jornalismo sou um devorador de informação, passo o dia com sites de notícias abertos, vejo os jornais diurnos e noturnos, procuro ler os principais jornais locais, leio blogs do meio, católicos, sobre música, cinema, arte, design. Tenho sempre livros a ler, com assuntos que me interesso e não porque tenho que ler. Enfim, viver, observar as pessoas, conhecer pessoas, interagir, viajar, são essas minhas maiores referências.
4- Você já foi dono de agência, a Time de Comunicação. O que o levou a sair da sociedade e voltar a ser “simplesmente” redator em outra agência?
O namoro não ia bem e procurei novos ares. Saí de uma função de faz tudo para ser novamente apenas criador, o que pra mim é até mais fácil tenho vasta experiência, sou novo, com pique e rapidez. Quando tudo está organizado é receber o briefing e entregar o melhor possível, acompanhar o processo e rezar pra tudo ser aprovado. São 2 realidades bem diferentes.
5- Você ainda sonha em ter a própria agência?
Quando me separei dizia que nunca mais ia casar, e aqui estou bem casado e com minhas primeiras 2 filhotas. Então só Deus sabe, deixo nas mãos Dele.
6- André, você troca a satisfação de um cliente por um prêmio da área?
Prefiro ver a satisfação de um cliente que vende muito e sua campanha ainda ganha prêmio pela qualidade, criatividade e ousadia. Mas uma coisa seja dita, não trabalhamos nem para o nosso cliente nem para nós mesmos, vendemos para públicos. Se fizer só que o cliente quer ele não precisa da gente. Se fizer só que quero vou fazer arte em casa ou num atelier. Somos vendedores de ideias, conceitos e nossas mensagens têm destinatários. É para eles que trabalhamos. Se eles ficam felizes, o cliente ganha, a agência também. Simples assim.
7- Como professor e jurado de concursos estudantis, com que olhos você vê a próxima geração de criadores? Promissora ou preocupante?
Não posso julgar concursos estudantis justamente por ser professor. A única vez que julguei estava fora da função. Mas julgo as categorias profissionais e tento aplicar com as devidas proporções os mesmo critérios. Espero que os estudantes tenham o mínimo cuidado ao enviar uma peça para um concurso. Professores muitas vezes indicam os alunos para as agências, já fiz isso muito. Somos olheiros também. Vejo uma parcela bem antenada e alguns que parecem fazer outro curso, não sabem quem atua em nossa área, quais são as agências, só criticam o que é produzido sem nunca ter feito nada. Uns estão no caminho, outros bem longe dele.
8- Muitos criticam a Internet por sua escrita informal e pobre. Você acha que a linguagem digital prejudicou (prejudica) na formação dos novos Redatores?
A questão da leitura é realmente um problema nessa geração visual e digital. E já podemos observar na dificuldade das agências encontrarem redatores para seus quadros. O pessoal anda escrevendo muito, só que em Messenger e Twitter.
9- Ultimamente, que propagandas você viu e gostou?
Aqui no Brasil gosto do que é criado pela Fnazca, AlmapBBDO, NBS e Santa Clara Nitro. Gosto da postura de agências gringas como a Santo (Argentina) e a Naked NY.
10- Como se costume: como você vê a propaganda cearense daqui a 10 anos?
Aposto e continuo apostando em nosso mercado, senão estaria longe há tempos. Acredito que cada vez mais é possível fazer daqui para qualquer lugar, mas precisamos de mais qualidade em todos os setores da agência, de qualificação nos departamentos de marketing, nos veículos, fornecedores e no próprio cliente. Acredito que estamos nesse caminho, muita coisa mudou já, mas falta um bocadim.
11- Essa mesma pergunta foi feita ao mestre Bittencourt: resuma a propaganda cearense em apenas uma frase.
Fazemos milagre com mesada, queremos e merecemos um lugar ao sol.

















June 15th, 2009 at 9:06 am
Grande mestre André Nogueira! Acho que todos que querem não ser somente apenas bons publicitários, mas boas pessoas como um todo, devem conhecer o André. O cara é um exemplo na vida de todos que estão em sua volta é, sem dúvida, é uma honra conhecer esta figura. Ah… E uma pequena correção: O nome da faculdade que ele coordena é Faculdade Católica do Ceará.
… Valeu!
June 15th, 2009 at 9:25 am
Como sempre bons Entre Rafis. Valeu Kenzo e parabéns André.
June 15th, 2009 at 9:54 am
Everardo: valeu pela correção.
Tiago: valeu pelo elogio.
June 15th, 2009 at 9:56 am
Ele é o nosso grande oráculo.
June 15th, 2009 at 11:29 am
Como tinha falado aqui antes, a primeira agência onde trabalhei (estágio) foi na Time de Comunicação. Bom, infelizmente não na época do André Nogueira. O que foi uma pena. Isso teria acrescido muita coisa no início da minha carreira como redator.
Não estou dizendo que não aprendi nada durante esse período. Tive sorte de ser assistente de outro redator muito bom, Marcel Barros. Só estou dizendo que bons mestres nunca são demais.
Parabéns pelo Entre Rafis Kenzo,
parabéns pela sua carreira André.
Abraços galera.
June 15th, 2009 at 3:49 pm
Andrezão é fera. Abraços.