Entre Rafis – Leandro Fiuza

A folga acabou e a rotina voltou. Depois de três dias recarregando as baterias, nada melhor do que informações fresquinhas, recém tiradas do pé, não é mesmo? Portanto, com vocês: o Entre Rafis do mês de maio.

Depois de passear pela sala da criação, neste mês o Rafiado deu um pulo em outro setor importantíssimo dentro de uma agência de propaganda. De lá, saem todas as peças para os meios de comunicação: a Arte Final.

E, para falar um pouco sobre o universo da Arte Final, bati um papo com uma figura cujo talento e simpatia são tão grandes quanto sua barriga (Brincadeira). Sem mais delongas, abram alas para o arte finalista, Leandro Fiuza.

Para você conhecer e reconhecer alguns dos trabalhos do Leandro, ao final de cada pergunta tem uma peça feita por ele em agências de propaganda e trabalhos freelancers, mostrando o antes e o depois de cada uma.

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Quem é Leandro Fiuza?

Leandro Fiuza é um cara gente boa… Brincadeira. Nasci em Fortaleza e logo na infância me apaixonei por publicidade e propaganda. Acompanho meu pai desde pequeno e sempre achei muito interessante a forma como as coisas aconteciam nas agências. Mesmo quando ainda nem existiam computadores, por meu pai – o diretor de arte Moésio Fiuza – sempre ter trabalhado na área, eu já me metia nesse mundo de fotografias, tratamentos de imagens, diagramação, etc. Comecei com 16 anos auxiliando os arte-finalistas em diagramação e tratamento de imagens onde tive a sorte de trabalhar com um grande profissional chamado Joevan Pinheiro que, dentre os que conheço, é um dos melhores. Trabalhei em 3 agências até hoje: Slogan, Ágil e atualmente na 333 Propaganda. Procuro fazer meu trabalho da melhor forma possível, sempre extraindo o máximo de qualidade que os softwares de edição de imagem e diagramação oferecem para que o resultado final seja o mais satisfatório possível.


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1- O que ou quem te levou a traçar o caminho da arte final?
A pessoa que mais me influenciou para esse caminho foi meu pai — a quem devo tudo que sou hoje —, por ser, além de um excelente profissional, uma figura encantadora que todos gostam e por ajudar as pessoas da melhor forma possível. Eu sempre me espelhei nele, pois o tenho como a melhor pessoa do mundo. Então, nada mais esperado do que seguir sua trajetória profissional, e graças a Deus tive ele para mostrar os melhores caminhos – o que eu devia ou não fazer – e por ter feito o melhor por mim. Sem ele eu não seria nada. E, como eu já falei, outra pessoa para quem eu tiro o chapéu e que me ajudou a traçar esse caminho chama-se Joevan Pinheiro. Joevan começou trabalhando com meu pai ainda na época da prancheta onde tudo era feito à mão, sem auxílio de computadores, canetas ópticas e etc. Quando os computadores chegaram, adaptou-se facilmente e hoje é um profissional exemplar. Outro fator, não menos importante, que me manteve nesse caminho foi a paixão que despertei por tratamento e manipulação de imagens.


2- Como foi trabalhar com o seu pai, Moésio Fiuza, na Slogan?

Foi a melhor coisa que pôde me acontecer, lá aprendi a trabalhar de forma correta e a separar bem o profissional do pessoal, sempre sendo cobrado por trabalhos bem feitos e bem acabados, não importando ser ou não seu filho. Meu pai me ensinou muita técnica de iluminação, luz e sombras, pois como ele trabalhou desde a época que ainda não existiam computadores, adquiriu muita noção de luz e desenho e, graças a Deus, tive a oportunidade de trabalhar com ele, o que fez toda a diferença na min
ha carreira. Trabalhar com ele foi essencial para o meu crescimento profissional.


3- Como você se mantém atualizado na sua profissão?

Sempre procuro atualização na internet, compro revistas e livros lançados recentemente sobre Photoshop, Illustrator, fechamento de arquivos, converso muito com profissionais de gráficas e profissionais de pré-impressão para trocar idéias sobre saída de impressão, perfis de cor, etc. Anualmente, sempre que possível, vou à São Paulo para uma conferência que é um banho de atualização, o Photoshop Conference. Qualquer forma de atualização no que diz respeito a softwares e periféricos é muito bem-vinda.


4- Como é construir carreira de arte finalista no Ceará?
Não é nada fácil por não haver cursos específicos de arte-final. Onde se aprende de verdade é dentro das agências. O grande problema disso é que as coisas acontecem
muito rápido e não se tem tempo para ter um estagiário de arte-final, que possa aprender como se trabalha de verdade, como se libera arquivos corretos e seguros para impressão, etc. Outro problema é que arte-final é um trabalho muito complexo, onde tudo tem que sair perfeito e sem erros, pois o que sai da arte-final é o que vai ser impresso. Um simples folder no formato A3 aberto, se liberado para a gráfica, seja ela rápida ou convencional (off set), pode botar a perder milhões de impressos. Por isso, as agências têm que ter profissionais de arte-final capacitados para que a finalização e liberação de arquivos seja perfeita, eliminando qualquer possibilidade de erros. Essa é a maior dificuldade para um arte-finalista construir uma carreira e isso fecha cada vez mais o mercado para possíveis profissionais, mesmo capacitados.


5- Fortaleza atende às expectativas de um arte finalista ou ainda ex
iste aquela necessidade de trabalhar em outro estado ou país?
Sim, Fortaleza atende às expectativas. O grande problema é que os clientes não querem pagar produção, fazendo com que muitas vezes não se tenham imagens de qualidade para trabalhar. A necessidade que um arte-finalista sente em ir para outro estado ou país vem daí. Em São Paulo, por exemplo, se produzem fotos fantásticas, tendo em vista que os clientes investem de verdade em produções fotográficas tornando o trabalho do arte-finalista muito mais rico e perfeito. Arte-finalista aqui no Ceará faz tudo: diagramação, correções de texto, vetorização, tratamento de imagens e fechamento de arquivos profissionais. Novamente, em São Paulo (cito São Paulo por ser referência no mercado publicitário brasileiro), por exemplo, funciona diferente: ARTE-FINALISTA faz diagramação, correções de texto, vetorizações e fechamento de arquivos. O RETOCADOR faz um trabalho que é chamado de SISTEMA, que é o trabalho específico de tratamento e manipulação de imagens.


6- Você dá pitaco em direção de arte?

Sempre que possível, sim. O bom arte-finalista sempre dá pitaco em direção de arte. Mas o pitaco é em relação a iluminação de ambientes, ambientação de imagens, textos que não dão leitura, forma como textos e elementos visuais são distribuídos, anúncios muito escuros que, por experiência, nós artes-finalistas sabemos que não ficarão legais no jornal. Tive sorte, até hoje, de trabalhar com diretores de arte legais onde eles mesmo aprovam esse olho clínico que nós temos. É comum o diretor de arte ficar tão envolvido no trabalho que não consegue ver que uma luz a mais ou a menos vai deixar o layout muito mais bonito ou glamouroso, que um texto pode até estar lindo na tela, mas não funcionará quando for impresso. O arte-finalista também tem que estar ligado para qual público-alvo será direcionado o trabalho que está sendo finalizado, pois, em uma peça direcionada à pessoas da terceira idade, por exemplo, não se deve usar fontes muito pequenas e de tipias muito fina. Na hora do tratamento temos que ter senso estético para o tipo de imagem determinado. Por exemplo, se for tratar uma imagem de comida e o diretor de arte fez um layout com tons frios, deve-se dizer que aquela comida, se for o caso, ficaria melhor em tons quentes puxando para o amarelo e vermelho — que aguçam a “fome” do receptor. Mas isso tudo deve ser conversado com o diretor de arte, não devendo nunca fazer qualquer alteração no layout ou tonalidade por conta própria sem avisá-lo. Tudo que for para melhorar a peça publicitária há de ser conversado com o diretor de arte para ver se a alteração pode ser feita ou não.


7- São qualidades essenciais de um arte finalista…

O bom arte-finalista é aquele que tem senso estético apurado e enxerga sempre além do que é feito normalmente. Ele deve ser extremamente cuidadoso e atencioso em todos os pontos do trabalho: diagramação de textos, controle de viúvas em textos, alinhamentos perfeitos e coerentes, sombras corretas e coerentes, imagens bem tratadas, etc.


8- O Ceará está bem servido de artes-finalistas?

Acho que sim. No Ceará temos artes-finalistas para todos os gostos. Tem gente que se dá melhor com arte-final na diagramação, outros com tratamento de imagem, e tem aqueles que fazem tudo muito bem. Aqui nós temos profissionais muito bons, sim.



9- Essa pergunta está em todos os Entre Rafis: como você vê a propaganda cearense daqui a 10 anos?
Bem, eu gosto de pensar que daqui a 10 anos a propaganda cearense estará bem melhor do que hoje. Espero que, o quanto antes, nossa propaganda esteja melhor produzida, com campanhas mais criativas, imagens cada vez melhores (se avançar de acordo com a velocidade da tecnologia, está bom demais), clientes mais dispostos a investir em boas propagandas. Hoje ainda é muito limitado, pois sem investimentos não se têm boas produções, como fotografias e produção de VTs. Enfim, espero estarmos bem à frente de nossas expectativas.



***

Ponto final no Entre Rafis deste mês. Vejo vocês no próximo post.

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14 Responses to “Entre Rafis – Leandro Fiuza”

  1. SILVIO CÉSAR Says:

    Arte-final é a profissão mais esculachada dentro de uma agência de propaganda, mas uma das mais importantes que existem. Se o resultado é bom, parabéns a equipe. Se dá erro, a culpa é do arte-finalista. Parece piada, mas não é.
    Arte-final é uma profissão pra quem tem coragem. Pra quem tá muito a fim de passar o final de semana, ou noites inteiras dentro de agências.
    Tem muito diretorzinho de arte por aí que não tem metade da disposição que um arte-finalista tem. Mas nem perto! E o pior é que, acompanhar o processo do lado do arte-finalista nem pensar! O cara que se vire.
    Sou um grande fã desses profissionais. E a ideia de colocar um deles aqui nessa sessão foi ótima. Parabéns.

  2. Julio Temporal Says:

    Quem conhece o trabalho do Leandro sabe que ele não fica muito tempo em Fortaleza. Dedicação e muita competência em todos os trabalhos que faz. Fora que é um figura do bem, um “fulerage” no bom sentido.
    Agora, Kung-fu-panda é fooooda! hahaha
    Valeu Leandro. Parabéns pelo seu trabalho. Você vai longe.

  3. Micael Robson Says:

    Muito bom o papo e o trabalho dele é de dá inveja. Tem o portfolio on-line pra ver mais coisa?

  4. Tiago F. Moralles Says:

    Eu não acho que haja tanto pouco caso com essa profissão, o que há na verdade, é uma baixa valorização.

    Veja os trabalhos bacana do Leandro, são ótimos exemplos disso, muita gente por aí, com certeza, deve pensar que é coisa de diretor de arte.

  5. Kenzo Kimura Says:

    Aê, Micael, o Leandro não tem portfolio online não.

  6. Kenzo Kimura Says:

    Tiago: “muita gente por aí, com certeza, deve pensar que é coisa de diretor de arte”. Bote muita, viu?

  7. Jorge Sobreira Says:

    Pouca gente sabe que o Leandro é o arte final mais premiado do Ceará…haha…brincadeira(ele fica puto com esse stória).
    Mas na boa, tenho muita sorte de trabalhar com esse cara, pessoa muito do bem e um fino marginal de rua, eh o famoso sangue bom…e sobre trabalho, n preciso nem elogiar, trabalho dele fala por si só.

    Parabéns Leandro.

  8. JB Says:

    é um arrombado (lá ele).

  9. Marcio Holanda Says:

    é um arrombado (lá ele) (2).

  10. André Nogueira Says:

    é um arrombado (lá ele parte 3)

  11. Tulio Pinheiro Says:

    ” ” “

  12. Everardo Filho Says:

    É sem dúvida o Leandro é um exemplo de profissional, tanto no potencial como na humildade, além de ser gente boa pra caralho. E confesso que depois que li esse tópico, me instiguei mais ainda pra aprender sobre manipulação de imagens… Valeu ae Kenzo… E valeu mais ainda pro Leandro, que ele é o cara!!!

  13. Jorge Says:

    Parabéns Leandro!
    Me diz só o que tu ta fazendo aqui no Ceará ainda?
    Te manda pra sampa mermão.

  14. Fabio Marçal Says:

    demais seus trabalhos! principalmente aquelas peças de gelo! fantastic man!

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