O que é preciso para se fazer uma campanha anti-drogas funcionar? Ser enfática? Ser direta? Ser, acima de tudo, criativa? Bom, se for, até hoje não funcionou. Infelizmente, desde que me dou por gente, tive o prazer e o desprazer, em algumas ocasiões, de ver dezenas de milhares de campanhas sobre o tema e todas parecem virar paisagem aos olhos vermelhos e veias pulsantes do público-alvo. Vai ver eles estão tão chapados que só conseguem enxergar algo que vire fumaça ou que corra em suas veias. Não importa o quão dura ela é, o quão explícita ela é, o quão didática ela é. Simplesmente, não funciona. Ou, pelo menos, até agora não. Mas não me entenda errado. Não acredito que a culpa seja das agências, nem dos clientes. É só que cada vez mais, convenço-me de que, para esse tipo de campanha surgir efeito, é preciso mais do que vts, impressos e eletrônicos. É preciso ação, vivências, experiências com o público-alvo: comunicação integrada. Quem sabe aí está a saída. Criar algo mais que meras peças que virem paisagem depois dos 30 segundos. Só sei que esse tipo de campanha só parece surgir efeito em quem não faz parte do target. Eles sim discutem e defendem, cada campanha nova, com salivas latejantes que escorrem da boca como escorre o nariz de um viciado em cocaína. Em qualquer botequim, parada de ônibus, no meio da rua, ou em qualquer lugar, há um bate-bapo sobre a abordagem das campanhas anti-drogas. Deles, nós conseguimos boas reações. Do público-alvo mesmo, até agora só conseguimos um singelo e sonolento: “Sóóó…”.
_____
_____
De qualquer forma, essa é da Slogan, para o Dia Mundial de Combate às Drogas.



