Mesmo que entre tapas e beijos, depois da longa discussão que tivemos por aqui nesta semana, demos um passo importante para alcançarmos uma cultura de debates. Por mais que alguns tenham aproveitado a situação para se entreter, muitos profissionais enxergaram uma oportunidade para trocar uma ideia de maneira saudável.
Prova disso foi uma contribuição que o Andrey Ohama, da 1010 Macaco, fez para o Rafiado: um texto escrito especialmente para o blog e que nos faz pensar um pouco mais a fundo sobre o nosso ofício. Boas palavras que não devem ecoar somente dentro da sala de criação, mas também nos demais setores.
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A idolatria do “Cover”
Depois da morte do Michael Jackson vi um depoimento de um “cover oficial” sobre como ele se sentia deprimido quando deixava as luzes e o papel do “Michael” e ia para o hotel voltar a ser ninguém.
Pois bem, na propaganda como na vida real, as pessoas estão atrás de reconhecimento, da busca desenfreada por se afirmar custe o que custar.
Entrar no mercado publicitário não é fácil, ser reconhecido como “rock star” mais ainda. E é aí é que entram os atalhos.
Abrir um livro, um anuário, ver filmes premiados é importante, cria referências e facilita o entendimento do que é bom esteticamente em propaganda, não necessariamente do que é eficiente. Mas é preciso ter referências sim.
O problema é quando os Jobs viram “blow Jobs” e se descobre que aqueles layouts lindos são apenas “covers” de layouts originais de revistas Arquives.
Que aqueles filmes criativosos são apenas “sacações” inspiradas naqueles filmes premiados.
Já dizia o Gringo da “Gringo”: pare de ter “sacadas” afinal, você está fazendo propaganda e não piadas.
Pensar em propaganda é antes de qualquer coisa, criar relevâncias para as marcas, planejar, pensar estratégias. Existe um ditado que diz: “você nunca vai ter uma segunda oportunidade de causar uma primeira impressão…”
Então: cuidado pra não fazer besteiras! Sou mais “fã” do Júlio Ribeiro que do Nizan Guanaes.
Um dos perigos da avalanche dessa nova geração de publicitários no mercado é exatamente essa: Falta de consistência.
Na internet todo mundo vira “mestre”, todo mundo pode posar de “Rock Star” e falar o que bem entender.
Na vida real, você está cara a cara com o mercado e mais cedo ou mais tarde podem descobrir que você não passa de um “Cover”.
Acho que esse é um dos grandes desafios para os mestres da propaganda: minimizar essa Síndrome.
Esse é o nome da nova campanha da Advance para a Prefeitura de Fortaleza. Com a redação toda em primeira pessoa, as peças abordam diversos programas da Prefeitura que são favorecidos quando você paga o seu IPTU.
Está sendo veiculada em outdoor, busdoor, TV, jornal, cartaz e rádio.
Para alguns, ter o reconhecimento dos profissionais de profissão com prêmios de publicidade é o ápice da carreira. Para outros, o reconhecimento do cliente fala mais alto.
No final de 2009, a 1010 Macaco fez a campanha do Ponto CE. Um dos festivais de música independente mais respeitados e aguardados do Norte/Nordeste.
Depois do sucesso do trabalho de ambas as partes, a agência recebeu um presentinho dos organizadores: um troféu intitulado “A agência que acertou no Ponto”.
Retribuindo à altura, agora foi a vez dos Macacos agradecerem publicamente com vários outdoors espalhados pela cidade.
E pra você, qual reconhecimento é o mais valioso: o do mercado ou o do cliente?